segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Do outro lado da Galheta...

É engraçado como a vida nos coloca oportunidades, desde que estejamos abertos a aceita-las.
Em um momento, sem perceber, estava em contato com duas personalidades da qual me sentiria amigo de anos. Alba e Evelyn se tornaram amigas minhas por intermédio da rede social FACEBOOK, que por alguns anos eu próprio (desculpem a redundância) me auto-excluia, por motivos bem pessoais. Em dado momento, quando resolvi me render aos prazeres dessa rede (risos), conheci essas meninas, que detém um senso crítico enorme, com opiniões bem formadas e inteligentíssimas...
Ao me convidarem para fazer parte de um passeio, vi que um sonho de anos estaria próximo de se concretizar. Tinha estudado várias referências anos atrás, sobre a importância histórica, cultural e ambiental do lugar. Havia lido muito a respeito de sua fauna, das construções, dos complexos, do contexto social, enfim...
Estava indo para a “paradisíaca” Ilha do Mel.
Durante a semana fomos combinando os detalhes, mas tudo só ficou verdadeiramente acertado na manhã de sexta-feira (30/09/2011). Evelyn já havia se evadido da capital paranaense na manhã de sexta. Alba, por motivos acadêmicos, iria comigo no sábado matutino.
Portanto, as 06:30 da manhã de 01 de Outubro de 2011, Alba embarcava na joaninha em direção ao pequeno porto que leva à “Honey Island”.
Conversando do começo ao fim nem vi o tempo passar, uma curva após a outra chegamos ao final da primeira parte de nossa aventura. Chegamos logo após as 08:10 no referido porto de embarque e conseguimos escutar o motor da embarcação que passava a alguns metros de distancia de nós... Havíamos perdido o barco, o próximo com saída prevista somente as 09:00hs. Sem pressa, estacionamos o carro, fizemos os preparativos para a partida, compramos a passagem e tivemos tempo para um bate-papo com Andrey Romaniuk, conhecido escalador e montanhista, que estava por aquelas paragens mudando um pouco ares.
Para mim era tudo novidade, afinal, só conhecia aquilo tudo pelos livros, folders, músicas e sites que tinham a Ilha como tema.
Partindo de Pontal do Sul, o trecho da travessia pelo canal da Galheta dura em média de 20 a 30 minutos. Uma travessia bonita que com a aproximação da ilha, foi tornando o contorno mais claro e concreto daquele bioma. A embaração atraca em um trapiche já um tanto surrado pelas interpéries litorâneas, mas ainda cumpre bem o seu papel. Para os incautos vale uma dica: Antes de embarcar, verifique em qual barca você está entrando, verificando qual será o seu destino: BRASÍLIA ou ENCANTADAS, no retorno é bom perguntar se estará voltando para Pontal, caso contrário, você dará um passeio em Paranaguá...
Alba Kosinski, descendente de poloneses (eu continuo insistindo que é de ucranianos, ainda mais quando falou que a origem de sua família é da Galícia), é uma figura encantadora, com algumas décadas de dedicação ao pára-quedismo e ao ensino, leva a vida de forma despreocupada, levando consigo a experiência simples de como ser feliz. Espírito inquieto, estudou até o que não podia, o que nos faz ficar de olhos vidrados quando começa a dialogar. Conhecedora da região, foi de certa forma, minha guia pessoal, contando detalhes do relevo, das construções e dos hábitos bem peculiares dos moradores.
Evelyn Laitz, “the English Teacher”, é uma paulista que se encontrou em Curitiba. Possuidora de qualidades invejáveis como serenidade, confiança, inteligência e senso de humor, faz também com que nós tenhamos uma proximidade muito grande, como se fossemos amigos de anos. Nunca fica parada, vive viajando e tenta apropriar-se do máximo de conhecimento que puder. Sempre disposta a pensar, cria situações para que sintamo-nos a vontade. Uma graça de pessoa, preocupada com o bem-estar de seus companheiros, já estava nos esperando no centro de visitantes, que fica no final da passarela do trapiche de BRASÍLIA...
Após breves saudações, segui com olhos atentos os metros de trilhas que nos levavam ao MARIMAR Hostel Internacional, local em que nos acomodamos. Percebi durante a caminhada as diversas trilhas e ramais que saíam, ora pela esquerda, ora pela direita, da trilha principal. Ficava imaginando para onde aquela grande teia daria, e qual eram as belezas que ficavam ao final de cada ponto dela.
Entre uma pousada e outra, intercalada com os restaurantes que ali figuram, as paisagens vão se modificando. E entre um clique e outro, vamos caminhando, entre as trilhas, praias ou descendo (no melhor estilo escalada) as pedras que ficam na orla, chegamos na tão famosa Gruta das Encantadas. Reza a lenda, que alguns pescadores e visitantes que passavam por ali eram hipnotizados por uma linda sereia, que detinha uma voz encantadora. Os homens, loucos de amor e em transe, se jogavam ao mar, ou entravam enamorados na gruta. Quando a maré subia morriam afogados, pagando seu amor com a própria vida. Céticos acreditam que o álcool etílico tem o mesmo efeito ali...
Após vários cliques, com direito a dois pequenosboulders nas paredes rochosas, fomos em direção a uma outra vila distante 600 metros da gruta: A Encantadas. 

Estimulamos o comércio local, e resolvemos que continuaríamos o bate-papo na barca que faz o tráfego entre Encantadas e Brasília. Após alguns minutos, estávamos atracados novamente em Brasília e nos dirigimos por uma trilha até a Praia do Farol para esperar o por-do-sol daquele local que foi erguido sob a ordem do Imperador D. Pedro II em 1870. Mas como nada nessa vida é tão certa, o sol, sem nossa permissão, acreditou que poderia se recolher sem mostrar seu esplendor e beleza... Ele estava certo...

Voltamos para nossa pousada pela orla marítima como a brisa fazendo cócegas em nossos rostos felizes e, ao chegar no Marimar, conversei com o simpático administrador da pousada. Ouvi suas estórias e apontamentos sobre o lugarejo e continuei fazendo minhas perguntas, voraz de conhecimento. Donizete comentou como viviam ali sua esposa, seu casal de filhos e ele; e de como esse pé-vermelho de Nova Londrina, cidade do noroeste do Paraná, veio parar ali. Fala com um carinho especial da Ilha, aliás, isso é sempre uma constante.
Em escala, fomos revesando no banho e após um saboroso vinho, resolvemos dar uma voltinha, quase uma procissão, pelos forrós que teriam naquela noite. Porém, uma chuva tímida começou a cair e deixamos de visitar o bailado mais distante, dando uma breve passada nos outros dois mais próximos. Em tempos idos o forró corria solto nas vilas praianas, porém o que se vê hoje é na verdade a introdução do “Sertanejo Universitário”. Portanto, é um evento chamado forró que não tem forró, de uma música chamada sertaneja que de sertanejo não tem nada, enfim, modernidades...
Vencidos pelo sono, fomos embalados pelo suave sopro de Morfeu. Envolvidos pelos braços aconchegantes do Sono descansamos para mais um novo dia que estava por vir.
Choveu a noite inteira e a metade da manhã também. Quando estávamos já resignados eis que a chuva deu uma trégua e, sem pensar muito, tomamos nossas mochilas de ataque e nos colocamos a caminho da Fortaleza.
A Fortaleza Nossa Senhora dos Prazeres foi construída em 1767 a mando do Rei José I de Portugal, para resguadar o império das invasões estrangeiras que aconteciam durante os séculos XVIII e XIX. A Fortaleza contém em seu pátio de guerra alguns remanescentes de canhões do final do século XVIII. No pátio principal, jaz em perfeitas condições a atual Administração e uma biblioteca comunitária muito bem formada, com um excelente acervo e bem próprio para o local, as coleções que estão ali são de enchem de entusiasmo um amante da leitura, nesse lugar funcionava a Casa de Guarnição; ainda no pátio principal temos o paiol de pólvora, que hoje é utilizada como almoxarifado, as ruínas da casa do Comando (Quartel-General) e as ruínas da Casa Soldadesca (Quartel da Tropa). Mais a frente, na lateral do pátio, olhos atentos verão as pedras que serviam de pilastras onde estava erigida a Capela em honra da padroeira do Forte e, logo mais adiante, uma fonte d'água onde os que ali trabalhavam serviam-se de água doce. Em um patamar meio metro mais baixo, bem em frente a Administração está o portal principal da fortaleza, onde se encontrava a cadeia, duas salas administrativas e onde se encontra as duplicatas, originais da época, das égides que figuram e adornam a entrada principal da Fortaleza. Uma verdadeira obra de arte, onde os olhos se enchem de orgulho diante de tantos detalhes e percebem como que, em tempo remotos, as edificações iam muito além apenas da funcionalidade. Feitas com amor e estima, um primor que deixa ensandecido um “historiador curioso” como eu. Ao lado da Administração começa a trilha que leva ao alto do Morro da Baleia, lá estão canhões mais recentes, do inicio do século XX (1905-1912). De um mirante, é possível ver um pedaço da ilha, a baia e a Ilha das Peças.

Durante a volta, passamos pela vila de Nova Brasília, lá se encontra o reduto estudantil, formado pela escola que atende do ensino fundamental ao médio.
Em todas as vilas ( Nova Brasília , Fortaleza, Vila do Farol e Encantadas) mas principalmente nas duas últimas, foi onde realmente eu vi o encanto da Ilha do Mel. As vielas são relativamente estreitas, porém largas para sua função, a passagem de pedestres, pois não há carros transitando por lá. O transporte logístico de materiais e mantimentos é feito em um material parecido com padiolas, pois são carrinhos de madeiras sobre eixos com pneus de carro. A via é cercada de vegetação e areia que em conjunto com as estruturas de madeira e vidro das construções, compõem uma certa aura de tranquilidade e harmonia, no melhor estilo “psicodélico-alternativo-bicho grilo”. As crianças e os cães brincando na praia sem nenhuma repressão e tampouco preocupação tão um tom ainda maior de simbiose ambiental comunitária. Em um misticismo difícil de explicar, parece que até mesmo o bater de asas de uma borboleta é um sinal de que a natureza lhe agregou também.
Passei dois dias incríveis na companhia de duas excelentes pessoas. Pareciam quatro dias, de tão intensas que foram essas vivências, mas de modo algum foi sacal. As conversas, muitas descomprometidas, outras um tanto profundas com caráter de conhecer o âmago dos companheiros de aventura, foram um divertimento à parte, que renderia um texto complexo e extenso para discorrer sobre o assunto.
Quando estávamos indo para o trapiche para voltarmos a civilização, que ocorreu sem maiores problemas, vi duas moças que caminhavam em sentido contrário ao nosso, indo para o interior da ilha; conversando, uma delas fez o comentário mais pertinente a respeito desse canto maravilhoso:
“- Que isso aqui é um paraíso todo mundo sabe... Quero que alguém me conte agora uma novidade!”

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

A musica atraves do mundo Parte II

Em minhas várias pesquisas e estudos musicais, sempre ouvi que o que movimenta e une os povos é uma linguagem universal: a música. Navegando pelo orkut, encontrei esse material que achei fascinante...
Dessa vez a música é Imagine, de John Lennon... Na voz do mundo!

domingo, 18 de setembro de 2011

CONCEIÇÃO, a fronteira final da Janela perdida.

"Roberto, preparando-se para esta aventura, pensou em filmes de terror, nos mineiros chilenos soterrados por longos dias e noites. Pensou em quanto tempo iriamos resistir em caso de obstrução da saída."
            Tudo começou em 1961, quando a Central  Elétrica Capivari-Cachoeira S/A (ELETROCAP)empresa responsável pela administração na época e incorporada  pela COPEL, no final da obra, que era e ainda é, responsável pela geração e  fornecimento de energia elétrica no estado,  resolveu que Antonina seria um ótimo local para a construção de uma usina hidrelétrica subterrânea. Acontece que o aproveitamento dos rios da região era insuficiente, mas poderiam resolver esse “pequeno” problema com a construção de um reservatório no planalto, com o aproveitamento do curso do rio Capivari que fica a 15,4 km do local onde ficaria a usina. Entre um e outro se encontra a Serra do Ibitiraquire, ou seja, os pontos culminantes da região Sul do país; local esse que é a morada de gigantes como o Pico Paraná (1877m.), Pico Caratuva (1860m.), Pico Ibitirati (1870 m), Pico Ferraria (1835m.), entre outros. A solução seria transpassar a serra com um longo túnel que uniria o planalto ao litoral.
           Enfim, depois de muito trabalho, após 9 anos de preparativos e construção foi inaugurada a Usina Hidrelétrica Governador  Parigot de Souza (UHPS), ou simplesmente Capivari-Cachoeira, nome dos rios que estão envolvidos para a sustentabilidade da obra.
          Pessoalmente, conhecendo o relevo da região, e levando em conta a tecnologia que era aplicada em uma época onde recursos como internet, GPS e outras facilidades não eram utilizadas, reconheço que foi uma obra quase que inimaginável de se concluir. Com certeza, quem anda hoje pelos quilômetros que cercam as obras, deve se perguntar como hoje em dia é possível ser concretizado tal feito, imagine na década de 60.
Bom, após esse breve retrocesso na história, vamos ao presente.
Roberto e eu algum tempo já íamos nos “cutucando” para a visita desse, quase nunca visitado, canto da serra: A Janela da Cotia e a longínqua Janela da Conceição.
Essas janelas, com respectivamente 400 e 1500 metros de extensão, são acessos ao túnel principal que conduz a água da Represa do Capivari na BR-116 até a sala de máquinas subterrânea, em Antonina. Além de acessos, esses túneis eram usados para a retirada do material escavado do túnel principal.
Como sempre, após curto contato telefônico na véspera, Roberto comentou que não estava com muita vontade de “madrugar” para seguir viagem e acertamos que às 09:00 da manhã nos encontraríamos no já tradicional pátio da DIVESA/TREVO DO ATUBA, saída para o Ibitiraquire.
Descemos a centenária Graciosa, e na localidade de São João da Graciosa, tomamos à esquerda, com destino à Antonina. Percebemos um marco de pedra  na margem da rodovia e, curiosos como somos, fizemos o retorno para averiguar do que se tratava. A princípio, refletimos que o marco de pedra com duas placas de bronze, uma referente à  data de restauração do marco na década de 80 e outra alusiva à data de morte (09/06/1917) do Coronel Francisco Antônio Marçalo, poderia ser o próprio túmulo desse importante vulto histórico de Antonina. Esse dado ainda não está ratificado por nossas mentes curiosas, portanto não temos certeza que ali jaz o referido cidadão.
Três quilômetros antes do centro da cidade tomamos novamente à esquerda, destino de quem vai à Guaraqueçaba, Rio do Nunes, Cacatu, Cachoeira de Cima e, assim como nós, à localidade onde termina a estrada, Bairro Alto.
Fiquei empolgado ao ver os vários píncaros que já visitei, vistos de uma nova perspectiva. Sempre tive contato com aquelas porções montanhosas à partir das fazendas acessíveis pela BR-116, e durante o percurso que leva à entrada da propriedade da COPEL/UHPS, os vi ainda mais majestosos e colossais, afinal, estava avistando-os quase a nível do mar.
Enfim, após passar o esqueleto abandonado da antiga Usina Hidrelétrica da Cotia (Cotia, além de nomear a Usina, é o nome do rio que nasce no vale entre o Caratuva, Pico Paraná e Ferraria e era responsável pela força hídrica para o funcionamento da Usina), rumamos para a última fazenda, onde começaríamos a caminhada para o histórico (e quase fictício) “Caminho da Conceição”.  Após breve diálogo com uma moradora começamos a subida do trecho. Durante a caminhada, cruzamos com vários vestígios, tanto da construção da Capivari-Cachoeira quanto do que sobrou da estrutura da Cotia, tais como aquedutos, canos-túneis, muros de arrimo e pontes.
A caminhada se dá, quase que em sua totalidade, em uma estrada larga e pavimentada com cascalho; não por menos, afinal, para a construção da Parigot de Souza, caminhões  maquinarias e fuscas tinham que ter acesso aos terrenos da empreita, e hoje a mesma estrada é utilizada para a manutenção das torres de alta tensão, a qual cruzamos bem mais a frente.  Até a alguns anos atrás, essa mesma estrada estava tomada pelo mato e o que se via era apenas uma estreita trilha com suas adjacências planas. 
Quando a estrada alcança o Rio Cotia e a famosa ruína da ponte dos troncos, o caminho começa a se tornar o que era antes, uma trilha; pois como a ponte quebrada não permite a transposição de tratores ou caminhonetes 4x4, o visitante se vê obrigado a seguir a pé, se já não o fez desde a Fazenda, como foi o nosso caso, que viemos desde a porteira caminhando.








Após passar a ponte, cerca de 100 metros à frente, um olhar atento permite perceber que a esquerda se encontra uma bifurcação.  Essa trilha, que segue por um leito seco de rio, sobe bordejando a margem pela direita do rio Cotia. Olhando atentamente, consegue-se perceber que esse leito de rio seco foi calçado com pedras do mesmo, na época da construção de uma das usinas.  Alguns consideráveis metros a frente a trilha cruza o rio e segue subindo, também pelo leito de um rio seco, porém, pela outra margem do rio Cotia; passando por alguns destroços e carcaças enferrujadas. Vale a dica: tome muito cuidado nesse trajeto, tanto para evitar escorregões (pois existem muitos pedaços de arames e armações que facilmente penetram na pele e também para evitar descer cachoeira abaixo) quanto pela subida repentina do nível do rio (estamos na Serra do Mar, qualquer chuva na cabeceira pode se tornar enxurrada e cabeça d’agua, ficar ilhado pode ser tornar um problema ou até mesmo ser levado na travessia do rio). Metros a frente a trilha torna a cruzar novamente o rio Cotia, num local onde se encontra uma piscina natural, seguindo agora pelo leito do próprio rio. Após aproximadamente 10 a 20 minutos se vê claramente do lado direito um barranco, meio desmoronado e com bases de concreto. Trata-se do Discoporto: um platô quadrado, concretado, com algumas herbáceas e que era usado para o armazenamento do material retirado da britadeira usada para perfurar o Túnel da Janela da Cotia. Para chegar a boca da Janela, a receita é fácil: após chegar no Discoporto, cruze a ponte de ferro antiga, o Túnel estará do outro lado dessa estrutura que era usada pelos vagonetes que retiravam o material e depositavam do outro lado do rio.
Se o leitor não entrar nessa bifurcação que descrevi acima, então continuará “reto” pelo caminho da Conceição, que vai subindo ladeira acima e passando por alguns charcos.
Mais a frente uma larga trilha com saída pela esquerda  se encontra com o caminho da Conceição. Trata-se da Picada do Cristóvão. Essa picada antiga, ligava em tempo idos, os moradores de Antonina e região a várias localidades do planalto como Terra Boa, Capivari e, em minha opinião, a moradores do que hoje conhecemos como Bocaiuva do Sul, em um tempo em que a represa era apenas o leito do estreito Rio Capivari, que nasce na divisa de Colombo com Bocaiuva. A Picada do Cristóvão, hoje, passa ao lado de picos como o Ferreiro e o Guaricana, ligando os extremos de Bairro Alto com a Fazenda Pico Paraná e Fazenda Rio das Pedras.
Mais a frente, o caminhante cruza os fios de alta tensão e ao lado a Cachoeira dos Cabos, que leva o nome justamente por estar ao lado dos cabos de alta tensão. Cruzará uma ponte de ferro e seguindo pela trilha em um capinzal deverá tomar o rumo levemente a esquerda, percebendo a continuação da trilha.
Metros a frente, chegará ao Cânion do rio (nome do rio) e cruzará a segunda ponte de ferro.
A partir daqui a caçada começa.
Já li e ouvi vários relatos de pessoas que a partir desse ponto, mesmo já tendo visitado o local algumas vezes,  procuram muito  e não acham a tal Janela, como se ela simplesmente sumisse do mapa.
Após passar a ponte, procuramos por um tempo e não achamos nada. Ponderamos que seria melhor armar acampamento próximo ao rio e então estaríamos sossegados para procurar melhor, sem a mochila nas costas.
Tomei a liberdade de ligar para um conhecido montanhista, frequentador da região, para pedir melhores informações. Roberto e eu procuramos durante algumas horas, subindo os barrancos e chegamos no final do vale e nada de Janela. Com o cair da noite, achamos melhor deixarmos para procurar com a luz do dia.
Durante a noite, liguei para outros dois montanhistas, e com a união de informações, tínhamos mais base de dados para procurar no outro dia.
Achar o túnel tinha se tornado questão de honra, e combinamos que a acharíamos nem que demorasse mais dois dias, afinal, tempo não era nosso problema.
A chuva começou a cair durante a noite e continuou, hora sim hora não, durante o resto da manhã... Sem pressa, levantamos tarde e após um café, retornamos a “bater” nos locais que procuramos no dia anterior. Refletimos nos dados que tínhamos e resolvemos procurar barranco abaixo e não acima como estávamos fazendo até ali. Tomamos o rumo que deveríamos ter tomado desde o início...
Para quem quer chegar na Janela da Conceição aí vão as dicas perfeitas para o sucesso... Mais mastigado que isso, vai perder a graça:
Após atravessar a segunda ponte de ferro, alguns metros a frente, verá um paredão de pedra quebrada (provavelmente com dinamite) do lado esquerdo, antes de terminar essa parede e começar um barranco, haverá (?) uma árvore caída. Nesse ponto, ao invés de seguir reto, subindo, faça uma leve curva a direita, sempre no nível da ponte. Perceberá que estará em um platô, de pedra brita, onde a vegetação é rala e espaçada. Siga em frente e logo chegará a uma plataforma em forma de H, toda de concreto. Suba na plataforma e cruze-o descendo logo em seguida. Antes de descer da plataforma, um olhar atento levemente para a esquerda poderá perceber a placa branca que assinala a entrada da porta do túnel. Após descer, ande por 50 metros levemente na diagonal esquerda e perceberá “degraus”, restos de concreto e logo a frente, encravado na rocha, a Janela da Conceição. Percebemos que, no dia anterior, estávamos andando por cima do túnel procurando na parte superior.  









Lembre-se: a entrada do túnel fica entre 100 a 200 metros de distância da segunda ponte de ferro.
Entramos no túnel e andamos os 1500 metros que separam o mundo externo com a comporta de acesso ao túnel principal. Uma caminhada simples, por pedra brita, que em alguns momentos fica submersa obrigando ao visitante molhar suas canelas e encharcar suas botas.
Roberto, caçador, finalmente encontrou a presa. Ali escondida, camuflada. Ou seríamos nós a presa e ela, a porta de aço encravada na montanha, a caçadora? Não seria entrar ali e cair numa armadilha, quiçá mortal?
Por instantes relembramos algumas poucas narrativas sobre este local, de aventureiros que aqui estiveram, os últimos, suponho que uns três anos passados "Em alguns trechos a água chega aos joelhos" descrito por alguém com mais de 1,80 mts, “Pareceu-me profunda do alto dos meus 1,60 mts”, pensou Roberto. “E a fezes de morcegos exalando um odor insuportável, infectando chão, paredes e tornando o ar quase irrespirável”.
Quem sabe lá dentro não encontraríamos as mais aviltantes criaturas, num reino de trevas e medos?
Roberto, preparando-se para esta aventura, pensou em filmes de terror, nos mineiros chilenos soterrados por longos dias e noites. Pensou em quanto tempo iriamos resistir em caso de obstrução da saída.
Levou luvas e máscaras descartáveis. Levou até mesmo caneta e papel para um improvável bilhete de despedida. Não teria palavras trágicas, certamente.
Fomos entrando...
E nos tranquilizando, maravilhados pela revoada de morcegos, agora não mais assustadores, mas sim, graciosos. Num imenso condomínio de dezenas de famílias penduradas no teto e em pontas de ferros encravados nas laterais do túnel.
Ao brilho das luzes das lanternas, realizavam um bailado ao decolarem em sequência, alguns retornando em seguida, outros revoando incomodados com nossa intromissão.
Fomos apreciando esta grande obra dos homens em direção ao coração da montanha. Formações rochosas típicas.  Água límpida vertendo por frestas e furos. Dela não emergiriam anacondas e alligators, então abandonamos nossas perneiras para melhor caminhar nos rasos trechos alagados.
Concluímos que foi uma noite melhor, acampados fora do túnel. Ali dentro seria inevitável o sentimento de estar num túmulo na montanha.
Paramos algumas vezes para olhar a cada vez mais distante luz da entrada, com visão da revoada dos morcegos.
Os números pintados na parede marcam o avanço da jornada. Na altura dos 1200 metros, caminhamos rápidos e agora só olhávamos para a escuridão, além do alcance da luz de nossas lanternas.

Então, eis que algo reflete: A porta interna que dá acesso a galeria principal de adução da Usina Hidrelétrica Parigot de Sousa. Pelo tempo aqui  colocada, está em ótimo estado. Pelo método construtivo e instalação, demonstra a imensa força que pode suportar.  Do outro lado, passa a água que movimenta as turbinas lá embaixo.
Nos cumprimentamos por mais este objetivo alcançado.
Olhamos demoradamente cada detalhe. Fotografamos de vários ângulos. Rimos com uma estalagmite de forma pornográfica e iniciamos o retorno.
Toda volta sempre parece mais rápida, mas desta vez sentimos que aquela porta de saída não chegava nunca. As perneiras que deixamos para trás, pareciam ter sumido, mas o cálculo de distância enganou nossa percepção aqui dentro. Estavam, claro, onde as deixamos, bem visíveis, aguardando resgate.
Chegamos então de volta ao mundo exterior, mas antes nos retemos algum tempo, ainda dentro do túnel, para fotos e sensações finais.
Fechada a porta, segue a vida.
            As luvas e máscara descartáveis nem saíram de onde estavam, o ar estava agradável.
              E meu amigo, Roberto, não escreveu aquele bilhete de despedida...  (obrigado, Deus.)
A volta foi rápida e sem problemas, uma vez que a estrada está em perfeita condição de uso, numa caminhada, embora longa, bem suave serra abaixo.
Estava assim concluída mais uma aventura que estava registrada apenas nos meus sonhos e nos relatos de outras pessoas que já foram pra lá...
Estava conquistada assim a Conceição, a fronteira final da janela perdida...


Texto: Rafael Kozechen Pereira Souto e Roberto M. Carneiro
Agradecimentos especiais a “E. D. F.”, “R. G.” e “ G. C.”

Fotos completas no link do Orkut
http://www.orkut.com.br/Main#Album?uid=12408193263656446095&aid=1315723771 Fotos de Papael


Video no Youtube  (Em edição)

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Entre flores e espinhos...

Não sou a mesma pessoa que fui ontem, tampouco pretendo ser amanha o que estou sendo hoje. O tempo muda tudo: Acalenta a alma e cura os corações partidos. Enquanto os ponteiros se movem é assim: Ora acertamos, ora erramos. Estamos sempre aprendendo a viver!

domingo, 31 de julho de 2011

A música através do mundo

Em minhas várias pesquisas e estudos musicais, sempre ouvi que o que movimenta e une os povos é uma linguagem universal: a música. Navegando pelo orkut, encontrei esse material que achei fascinante...
Se trata da musíca Stand by me, do John Lennon... Na voz do mundo!
Aproveitem:

domingo, 17 de julho de 2011

Voaram sei lá p'ra onde...

E depois de tanto tempo,
percebi que no varal onde pendurava minhas coisas,
meus sonhos, minhas metas...
Um vento soprou e levou...
Por sorte, as coisas que perdi e  voaram de meu varal
fizeram sobrar espaço                                                                  
para pendurar as folhas que ainda estão em branco...
Das coisas que ainda escreverei de você...

(Inspirado em "O Varal" de Maíra Viana - O Teatro Mágico em Palavras-)