quarta-feira, 11 de julho de 2012

Travessia Saco do Mamangua e Ponta da Joatinga - Parati/RJ - Parte 1 -

O SACO DO MAMANGUA


          O feriado do Corpus Christi já se aproximava e o Plano A tinha ido para o beleléu, pois o número de participantes da travessia do Parque Nacional São Joaquim em Santa Catarina estava lotado. Para que a Justiça fosse feita, fiquei de fora da empreitada para essa linda caminhada da serra catarinense. Aliás, parabéns para o pessoal da Associação dos Montanhistas de Cristo pela iniciativa, pela bela caminhada e por agregar montanhistas dos três estados sulinos. Para mim, fica para a próxima.
          Nos últimos dias que antecediam o feriado, lembrei de alguns relatos que havia lido anos antes, sobre travessias a beira-mar, como a de Superagui; que há anos tenho vontade de realizar. Entre uma pesquisa e outra, relembrei de uma travessia pouquíssimo conhecida, na cidade de Paraty/RJ.  Na verdade, juntei duas travessias: a do Saco do Mamanguá e a da Ponta da Joatinga.
          Após um breve estudo de custos e do local, decidi como opção, pela travessia no Rio. Preparei-me para a árdua tarefa de dirigir a noite pela temida Rodovia Regis Bittencourt, após um longo dia de trabalho. Para executar tal tarefa, optei por maiores períodos de sono ao longo dos 3 dias anteriores ao inicio da viagem e por uma boa garrafa de café ao longo do deslocamento para o “Estado da Guanabara”.
           Últimos preparativos logísticos feitos, parti em direção a capital paulistana às 22h40min. de uma quarta-feira chuvosa, dia 06 de Junho de 2012. Às 5 da matina, já estava na terra de Monteiro Lobato. E após dar uma guinada para a direita, desci a bonita Serra do Mar em direção a Ubatuba. Logo após, estava dirigindo pela famosa rodovia Rio-Santos, conhecida nacionalmente por suas curvas.  Era 07h50min quando estacionei o Land Celta em uma área bem em frente à Rodoviária da cidade. Por pesquisa, o ônibus que me levaria ao próximo destino sairia às 8h30min. mas o horário mudou... Após pegar os utensílios, mexer nas coisas e olhar o horário do coletivo, descobri que o transporte tinha saído minutos antes, as 08h00min. O jeito era esperar mais 1 hora e meia; tempo de um café, e de alguns preparativos feitos com mais esmero.

           Enfim, 09h30min. estava indo em direção a Paraty-Mirim, porém, decidi parar antes do centro da comunidade e parti em direção ao Saco do Mamanguá através de uma íngreme trilha que me levaria a Praia do Currupira. Deixei, portanto, de visitar e conhecer a Igreja de P. Mirim, a Prainha das Pedras, a das Pacas, a da tapera, Praia Grande, Praia da Bica e a Praia do Pontal, o acesso entre essas praias se da, quase que na totalidade, entre canoas e barcos, tirando um pouco o estilo “travessia” propriamente dito, então por esse motivo e com o agravante do horário avançado, deixei de fora essa parte do Saco.
          Após duas horas de caminhada e uma “perdida” que deu em um mangue (que provavelmente chegaria à Estrada que liga o Saco ao Condomínio Laranjeiras) encontrei-me na comunidade de Currupira, onde na praia um senhor desconfiado deu-me a informação de que o barco que estava vindo em nossa direção poderia fazer a minha travessia pelo outro lado do Saco. Esperei o dito barqueiro, mas ele deu meia volta em direção ao fundo do Saco. Voltei para a comunidade e, batendo nas casas, pedi informação de alguém que poderia realizar a travessia. Ao chegar nas casas, verifiquei que seus moradores não fazem a mínima questão de retirar a roupa do varal, mesmo com a chuva que insistia em me seguir. As respostas foram sempre negativas, pois os homens do local tomaram “chá de sumiço”. Retornei para a beira da praia e logo retornava a pequena embarcação. Dessa vez, acenei para o barqueiro que, após alguns minutos, estava na beira da areia com seu bote. Indaguei-o sobre a possibilidade da transposição do Saco e ele me afirmou que não poderia realizá-lo, mas seu companheiro que havia ficado na embarcação poderia fazê-lo e que logo ele estaria na orla da praia. Mais alguns minutos separavam o meu encontro com o barqueiro para fazer o acerto, que iniciou com o pedido de R$30,00 para a chegada a praia do Espinheiro ou R$50,00 para me atravessar ate a Praia do Cruzeiro, onde eu deveria acampar. Achei o preço meio salgado e resolvi pechinchar, ofertando R$20,00 para a travessia ate o Espinheiro, no qual foi aceito prontamente pelo pescador, pedindo apenas que esperasse mais alguns minutos, pois ele havia saído às 7 da manhã e deveria almoçar. Trato firmado, era apenas questão de esperar.
          Fiquei a espera no pátio de uma singela escola, vendo meu objetivo maior do dia, o cume do Pão de Açúcar, que queria subir naquela tarde, ser fechado por densas nuvens, deixando a trilha perigosa e lisa, portanto, abortado por precaução.
Pico Pão de Açucar, minutos ates das nuvens cobri-lo
Deixando a Praia do Currupira
          Eis que por volta das 13h30min, Gilmar retorna de sua casa para cumprir o combinado e em menos de 20 minutos já havia deixado para trás a Praia do Currupira e a Praia do Bananal ao lado direito, atracando na Praia do Espinheiro. 
           Logo mais vejo um barracão branco, algumas casas e uma igreja Assembléia de Deus, seguida do Posto de saúde e Associação de Moradores do Mamanguá; havia chegado na Praia do Cruzeiro, uma comunidade grande e percebi, pelo tempo de deslocamento entre a Praia do Espinheiro e do Cruzeiro, que pagar a diferença era rasgar dinheiro, tal a proximidade entre as duas comunidades. Passei alguns quiosques e uma pequena ponte. Ao pedir informação em uma das casas, fui abordado por uma simpática senhora, que incisivamente alertou-me de que não chegaria na próxima praia, e que deveria ficar em um local que ela dispunha. Pedi informações sobre um camping de um senhor chamado Orlando. A dita senhora me afirmou que era ali... Entendi então o porquê da insistência de ficar em sua propriedade...
           Cheguei ao local que tinha me causado curiosidade nos relatos que li. Trata-se das “Ruínas da Mansão do Coreano”. Uma verdadeira obra grandiosa aos pedaços, que foi demolida pelo IBAMA por estar em área irregular e que não poderia ser construída. Tal construção destoa totalmente dos ares simples e humildes que rodeiam a comunidade. Agora em trapos, percebe-se que, quando habitável, deveria ser uma construção colossal que abrigava uma série de atividades além-moradia. Aqui, senti certa dificuldade em seguir em frente, pois não sabia bem ao certo que rumo seguir. A tarefa ficou ainda mais difícil por conta de um “amigo” canino que tentava me ajudar...  Em seguida, após vários minutos, resolvi retornar um pouco e subir alguns degraus ao lado de uma casa paupérrima.  Nessa direção, a subida reta é em direção ao cume ao Pão de Açúcar, que foi abortado, eu segui a esquerda. Mesmo com dificuldade para achar a trilha na parte da ruína da mansão, ainda estava com tempo e resolvi seguir adiante, abandonando a idéia de acampar na comunidade do Cruzeiro. 
           Seguindo a frente, chega-se em uma mansão onde foi gravado um filme da série Crepúsculo, como a região da casa é grande, também perdi alguns minutos procurando a provável continuação da vereda e ali não havia nenhum vampiro teen para me socorrer. Pois bem, a mesma continua atravessando o gramado que sai bem atrás da casa principal. Passa algumas pontes e logo aportava na comunidade da Praia do Engenho. A dificuldade do caminho se dá, por incrível que pareça, quando chega-se nas comunidades. A infinidade de caminhos, trilhas e sendas é tão grande que fica difícil se orientar e saber qual caminho se deve seguir e, é lógico que mais uma vez, eu fiquei “rodando” pela vila a procura da continuação. Ficaria por muito tempo, não fosse um morador simpático que me ajudou indo mostrar-me a trilha em direção da Praia e a continuação do caminho que seguiria no outro dia. Em um entroncamento em cruz deve-se descer a esquerda para chegar à praia, ou subir para a direita para continuar o caminho. Como já se fazia tarde, fiquei na pequena e acolhedora Praia do Engenho que, providencialmente, há água doce encanada e um chuveiro de águas gélidas. Montei meu apartamento em um gramado, bem embaixo de uma grande árvore, um sombreiro avolumado que jazia nas areias amareladas. Não sem antes passar um temor: ao terminar de armar acampamento, vejo vindo em direção da praia uma embarcação com uma lanterna. Fiquei imaginando que algum “dono da praia” ficou sabendo da minha pretensão de passar a noite por ali e veio me enxotar do local. Com uma pequena distancia comecei a ouvir risadas e conversas amenas vindo do barco; fiquei mais aliviado. Ao atracar, desce um casal de esportistas, vindo do Rio de Janeiro para caminhar, afinal, a partir daqui acaba a travessia do Saco do Mamanguá e inicia a da Ponta da Joatinga.
Aguas limpidas da Praia do Engenho

Praia do Engenho


Local do 1o. Acampamento
          

Veja a continuação...http://rafakoz.blogspot.com.br/2012/07/travessia-saco-do-mamangua-e-ponta-da_11.html 

Um comentário:

commochila.com disse...

Muito bom seu relato. Essa praia do engenho parece ser bonita de tirar o fôlego!