quarta-feira, 8 de maio de 2013

Série Personalidades – Roberto M. Carneiro (Robertinho)



     No segundo capitulo da série, vos apresento uma figura singular. Tenho esse marumbinista como um dos meus seletissimos amigos.
     Roberto Manoel Carneiro é conhecido no meio montanhistico como Robertinho. Nasceu em Itajai/SC na data de 14 de Novembro de 1951. Por ordem do destino aportou em Curitiba.
      Certa ocasião, na década de 70,  um amigo seu lhe fez o convite que mudaria a sua vida: “Roberto, vamos pro Marumbi?” Convite aceito, em duas horas de viagem chegou ao local que se apaixonaria pela vida inteira.
     Fez amizade com um grupo que tinha um barraquinho meia-água na beira da linha férrea em frente à Estação Marumbi. Inventou um nome para identificar o grupo e passaram a ser a “Turma do MAMUCA” (iniciais de Marumbi, Mulher e Cachaça). Dali para frente a relação de amor entre Roberto e a Montanha Azul so se estreitou.  Um outro grupo ocupava o barraco ao lado, autodenominados “Bebuns”. Com Serginho, Zezo e Lalau (Ladislau Andrejewski) entre outros. Amizade feita, entre várias traquinagens, resolveram descer a Estrada da Graciosa sobre carrinhos de rolimã; o que lhes rendeu alguns hematomas. Essa prática, anos depois, foi elevada a campeonato por Vitamina (Henrique Schimidlin).
     Mas a vida foi chamando um por um: exército, casamento, empregos; e a turma do Mamuca foi se desfazendo, o barraco foi caindo e o destino resolveu dar uma guinada na vida desse montanhista. Serginho, da turma ao lado, teoricamente “rivais”, também se viu sozinho com a dissolução do seu grupo. Os dois resolveram se juntar. Roberto comprou uma casa de madeira pré-fabricada no Materiais de Construção Balaroti que foi colocada no terreno adquirido por Serginho e Zezo no “Parque de Férias Marumbi”.
     No final do inverno de 1973 a pedra fundamental da casa foi assentada e varias reformas e ampliações nos anos seguintes fizeram com que o chalé se tornasse na “Mansão 4 Bicos”.
     Como apenas subir os cumes ficou fácil, começaram a apostar corrida para a descida mais rápida do Abrolhos (1200m de altitude), seu recorde foi de 50 minutos e numa tentativa de bater o seu recorde, acabou machucando o joelho e ganhando anos de fisioterapia e cuidados extremos. Aprontou o que podia e o que não podia por lá, inclusive fazendo um concurso da mulher mais feia do Marumbi. Apenas o Marumbi e suas montanhas eram sua metas nas folgas.
     O tempo passou, vieram o casamento, a filha Daniele e os compromissos. Entrou para a SANEPAR e por diversas madrugadas chuvosas ficou louco na tentativa de conseguir atingir a meta de qualidade do tratamento de água. A escala era impiedosa, ignorava sábados, domingos e feriados. Ficou difícil ir para a serra.
     Certa vez, desgostoso, brigou com o Marumbi; ficou anos sem aparecer, queimou fotos, jogou fora artigos que lembravam aquela época. Mas a lembrança ficou na mente, e quando a saudade já não cabia mais no peito; agora com amigos novos dos quais esse que vos escreve faz parte, retornou ao “seu lar”.
      Do cume do Olimpo, começou a ver mais longe. E aquele montanhista que ficou mais de 30 anos no Marumbi, resolveu dar uma esticadinha em outras montanhas. Foi para a Torre da Prata, para as Montanhas do Ibitiraquire e realizou a travessia “Ciririca por Cima, realizou incursões nas intrigantes Janelas da Cotia e Conceição.
     Para comemorar seus 60 anos de idade, formulou um plano para deixar na sua historia. Então no dia 05 de Maio de 2012, há exatos 12 meses atrás, partiu as 05:15 horas da manhã para o cume do Rochedinho, o mais baixo dos 9 cumes do Conjunto Marumbi. A partir dele, foi galgando os outros: Facãozinho, Boa Vista, Olimpo, Gigante, Torre dos Sinos, Ponta do Tigre, Esfinge e finalmente o cume do Abrolhos, para enfim, as 20:15 horas da noite chegar novamente ao ponto de partida: A Mansão 4 Bicos. Concluia então, em apenas um dia, o Projeto que batizamos de Marumbi Total (todos os cumes do Conjunto em apenas um dia).
      Critico, esse escorpiniano tem um bom coração, mas também uma lingua afiada.
      Sempre envolvido em projetos sociais-ambientais, é colaborador da Biblioteca Comunitaria Sitio Vanessa, na região do Anhaia em Morretes.
     Dono de um senso de humor incrivel, cativa facilmente a todos com suas historias.
     E se engana quem pensa que o homem de cabelos brancos e baixa estatura está se aposentando das montanhas: No mês que vem irá ao Parque Nacional do Itatiaia para mais uma aventura.
     Dia desses, num domingo lá no Marumbi, Robertinho me disse: “tenho uma bicicleta que está na parede lá de casa, já não a uso mais; é um icone daquilo que me ajudou a ganhar o “pão de cada dia” e conseguir o sustento da minha familia. Naquelas noites, longe de casa, travando batalhas solitárias na Estação de Tratamento de Agua, me perguntava: Meu Deus, o que estou fazendo aqui???...  Amanhã, as 9 horas da manhã vou acordar e lembrar que minhas contas estão pagas, meus compromisso em ordem; e antes de me virar e  adormecer de novo eu vou pensar: “Ah! Agora sei o que estava fazendo lá!”...”

3 comentários:

Cristiano Amaro disse...

Legal conhecer a história dessa figura, embora tenhamos nos encontrado poucas vezes pessoalmente e algumas postagens no face me simpatizo com ele. Gosto dos comentários, muitas vezes críticos mas bem humorados que ele costuma postar. Espero que tenha uma vida longa no montanhismo, afinal de contas sua história se confunde com a do Marumbi e com a do montanhismo paranaense!!! Abraços

Vera disse...

Muito interessante a história deste homem que também é uma parte da história do montanhismo paranaense. Por seus comentários no facebook, já temos uma ideia da personalidade marcante do Roberto: sempre pronto para coloborar com sua experiência ou alfinetar uma conversa quando convém, utilizando-se de um humor explosivo que parece ser característica do seu temperamento. Espero conhecer pessoalmente essa figura.

Getulio (gvogetta) disse...

Grande figura!

Conheço pouco, mas pelo que posta dá para conhecer um pouco de sua inquietude e personalidade.

Vida longa ao Robertinho e bons ventos, afinal, na montanha, somos todos irmãos!